Meningoencefalite é uma doença grave que afeta o sistema nervoso

Infecção que acomete cérebro e meninges pode ter diferentes causas; conheça os sintomas e saiba quando procurar ajuda
Meningoencefalite

A meningoencefalite é uma doença que une duas infecções graves: a meningite e a encefalite. A condição afeta tanto as membranas que envolvem o cérebro, que são as meninges, quanto o próprio tecido cerebral, que é o encéfalo, podendo levar a sequelas permanentes ou, em casos mais graves, à morte. De acordo com a Fiocruz, nos últimos cinco anos, o Brasil registrou 60.557 casos de meningoencefalite (a doença tem notificação compulsória no país); destes, 32.451 casos foram em crianças/adolescentes de 0 a 19 anos. Continue a leitura para saber mais sobre essa condição, os sintomas que ela causa e quais as formas de tratamento e prevenção.

Meningoencefalite: o que é?

A meningoencefalite é um processo inflamatório agudo que acomete as meninges (membranas que envolvem o cérebro) e o cérebro.

Essa inflamação pode ser causada por tanto por vírus (a forma mais comum) como por bactérias, fungos ou, em casos raros, por reações autoimunes.

Dependendo da causa, o quadro pode evoluir rapidamente, tornando necessária a intervenção médica imediata. 

A doença pode afetar qualquer pessoa, independentemente da idade, mas é mais comum em crianças, idosos e indivíduos com sistema imunológico comprometido.

 

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Quais os sintomas?

Os sintomas da meningoencefalite podem variar conforme o agente causador da condição e a gravidade da infecção. Os sintomas e sinais mais comuns são:  

  • Febre alta e repentina; 

  • Dor de cabeça intensa e persistente; 

  • Rigidez na nuca; 

  • Confusão mental e alteração do estado de consciência; 

  • Convulsões; 

  • Sensibilidade à luz (fotofobia); 

  • Náuseas e vômitos; 

  • Alterações neurológicas, como dificuldades motoras e fala comprometida; 

  • Sonolência excessiva; 

  • Irritação (especialmente em bebês e crianças pequenas). 

Em casos mais graves, pode haver perda de consciência, coma e até mesmo óbito. A rapidez no diagnóstico e no início do tratamento é essencial para minimizar os danos ao sistema nervoso.

Quais os tipos de meningoencefalite existem?

A meningoencefalite pode ser classificada de acordo com seu agente causador: 

  • Viral: é o tipo mais comum e geralmente causado por vírus conhecidos, como herpes simples, enterovírus e arbovírus (entre outros). Assim como ocorre nas meningites virais, geralmente apresenta sintomas leves a moderados, mas alguns casos podem apresentar complicações. 

  • Bacteriana: é uma forma bem grave, exigindo tratamento imediato com antibióticos. Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis estão entre as bactérias mais associadas a essa infecção (assim como nas meningites bacterianas

  • Fúngica: menos comum, geralmente ocorre em indivíduos imunossuprimidos, como pacientes com HIV/AIDS. 

  • Parasitária: causada por protozoários, como a Naegleria fowleri, um organismo encontrado em águas doces e mornas. Essa forma é bem mais rara. 

  • Autoimune: ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca o cérebro e as meninges, causando inflamação sem a presença de microrganismos infecciosos. 

Qual exame deve ser feito para diagnosticar a meningoencefalite? 

O diagnóstico da meningoencefalite é feito com base na avaliação clínica do paciente, nos sintomas apresentados e nos resultados de exames laboratoriais e de imagem. Os exames recomendados para o manejo da doença incluem:  

  • Coleta de Líquido Cefalorraquidiano (LCR) para análise de celularidade, proteínas, glicose e exames microbiológicos e de biologia molecular; 

  • Eletroencefalograma (em caso de risco de convulsões); 

  • Hemograma; 

  • Glicemia; 

  • Hemocultura. 

Como é feito o tratamento da meningoencefalite?

O tratamento da meningoencefalite varia de acordo com o agente causador da doença. Em geral, o tratamento visa estabilizar o paciente com medidas de suporte para aliviar os sintomas enquanto combate-se a infecção.

No caso da meningoencefalite bacteriana, é necessário o uso de antibióticos de forma intravenosa. O tipo de antibiótico utilizado dependerá da bactéria causadora da doença. Além disso, o médico poderá optar por usar corticosteroides para reduzir a inflamação no cérebro e nas meninges. A rapidez para iniciar a medicação em tempo hábil é fundamental.

Já na meningoencefalite viral, o tratamento mais comum é o de suporte: repouso, hidratação e medicamentos para aliviar os sintomas. Em alguns casos, como na doença causada pelo vírus herpes simplex, podem ser usados medicamentos antivirais.

As meningoencefalite fúngicas e parasitárias, por outro lado, devem ser tratadas com medicamentos antifúngicos e antiparasitários, respectivamente. Por fim, nos casos de meningoencefalite autoimune ou por causas não infecciosas, o médico irá direcionar o tratamento de forma personalizada de acordo com cada paciente.

Em todos os cenários, no entanto, o paciente com meningoencefalite necessitará de internação hospitalar para receber o tratamento adequado e ser monitorado de perto. Em casos graves, pode ser necessário o tratamento em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Vale ressaltar que a busca pela assistência em tempo hábil é fundamental e pode evitar o desfecho fatal.

Como prevenir a meningoencefalite?

A prevenção da meningoencefalite pode variar de acordo com o agente causador. A principal medida de prevenção é a vacinação, tanto para prevenir contra infecções causadas por bactérias como o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae; quanto por vírus, como os causadores da dengue e da febre amarela (arbovírus).

Outras medidas incluem lavar as mãos com frequência, evitar o contato direto com pessoas doentes, especialmente em locais fechados, e combater vetores causadores de arboviroses (como o mosquito causador da dengue).

 

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Fonte: Dra. Luisa Chebabo - Infectologista

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